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O preço do dinheiro
O que leva uma jovem de 15 anos, quase ainda uma criança, a pedir ao namorado que lhe mate o pai? O que leva um jovem de 17 anos a concordar com o pedido? E o que leva um criminoso a vender uma arma a um jovem de 17 anos? Bom… isso julgo saber a resposta, talvez seja o dinheiro!... Sempre o dinheiro. É o dinheiro que faz andar o mundo, é o dinheiro que nos faz levantar cedo, dar um beijo ao único filho (porque o dinheiro não deu para ter mais), e correr para o emprego porque precisamos fazer dinheiro para que as nossas vidas não parem, para que os nossos patrões consigam dinheiro para nos poderem pagar os nossos ordenados, para termos dinheiro para pagar a nossa renda de casa, para pagarmos as nossas contas, para pormos gasolina no carro, para pagarmos as refeições diárias, para pagarmos a prestação do carro, para pagarmos o que ainda falta das férias que gozámos o ano passado e para podermos ter direito a crédito para as deste ano, enfim, para darmos aos nossos filhos uma vida melhor do que aquela que tivemos. Dizemos nós em tom de justificação. Como se a vida que nós tivemos fosse assim tão má! Na vida que nós tivemos, provavelmente não tínhamos dinheiro mas tínhamos uma mãe em casa para nos apoiar no crescimento - aquela fase tão importante da nossa vida -, tínhamos irmãos para partilhar confidências que não partilhamos com os pais, tínhamos amigos com quem podíamos realmente conversar e brincar na rua, tínhamos uma escola talvez mais severa mas certamente mais atenta e que nos fazia entrar na vida com mais responsabilidade, não andávamos de carro mas divertíamo-nos a pé porque o caminho da escola era feito em conjunto com os nossos amigos da mesma rua, tínhamos experiências de vida e não necessitávamos de procurar preencher o vazio do nosso peito com jogos de consola. As tristezas ou as alegrias eram partilhadas com a família e termos a certeza de que ela estava lá para nos apoiar dava toda a segurança do mundo. A velha frase “olha que eu vou chamar o meu pai” deixou de se ouvir, já nenhum miúdo se atreve a proferi-la, caso contrário, julgam que ele não é deste mundo… Quando voltamos a casa ao fim do dia em que trabalhamos para o ter o tal dinheiro, mal temos tempo de olharmos os nossos filhos nos olhos e sabermos como foi o dia deles no treino para o sucesso de vida. Eles vão crescendo vazios de esperança, de objectivos e de afectos e iludidos pela fórmula mágica de conseguirem dominar as redes de internet porque ela é o futuro. À medida que o mundo avança, os nossos valores vão-se transformando em qualquer coisa que vem dos nossos antepassados mas que nós não sabemos bem o que é e vão dando lugar a uma distância desumana do mundo real que nos leva muitas vezes a actos irreflectidos, como o exemplo deste miúdo que disparou para matar o pai da namorada matando também a sua jovem vida. O preço que pagamos pelo dinheiro é demasiado alto.

Pode ler ou imprimir na íntegra o seu jornal EXPRESSO do Oriente em:
Bullet11 expressodooriente.magma.pt


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